O Sporting empatou este domingo a zero na recepção ao Belenenses e ficou a 10 pontos do líder Sporting de Braga, vencedor sábado na recepção ao Vitória de Setúbal (2-0), em encontro da sétima jornada.O Sporting voltou a jogar muito pouco, depois da exibição deprimente de quinta-feira, frente ao Hertha de Berlim, para justificar uma vitória, mesmo frente a um adversário modesto como o Belenenses. Os primeiros 12 minutos da segunda parte são paradigmáticos da saúde anímica da equipa: veio do intervalo com uma postura ainda mais apática do que aquela que adoptou durante toda a primeira parte, permitindo ao Belenenses, que é uma equipa que circula a bola com dificuldade, trocá-la entre si a ponto de exasperar a massa associativa "leonina". É sintomático que uma equipa que se assume candidata ao título regresse do intervalo amorfa e sem capacidade de pressionar e de incutir agressividade às suas acções e movimentos. Só então a equipa técnica - demorou 57 minutos a mexer numa equipa sem acutilância e profundidade no seu jogo exterior para criar lances de envolvimento para os seus pontas de lança - decidiu sacrificar hngulo (jogou a passo, literalmente) e Vukcevic para incutir mais velocidade e agressividade às alas, com Yannick e Pereirinha.
O jogo demonstrou que ambos, ou pelo menos um deles, em vez de um hngulo que não tem, objectivamente, condições físicas neste momento para ser titular do Sporting, deveriam ter entrado no "onze". Esta alteração permitiu ao Sporting imprimir um ritmo mais forte e agressividade às suas transições ofensivas e criar dificuldades a uma defesa do Belenenses que foi sempre chegando para "as encomendas" face ao jogo lento e previsível dos leões. Os jogos, porém, começam-se a ganhar desde o primeiro minuto e quando o Sporting criou duas oportunidades para chegar à vitória falhou-as, por demérito de Hélder Postiga (se não melhorar a sua eficácia em termos de finalização nunca passará de um avançado mediano) e Caicedo, este só com o guarda-redes Nelson pela frente, aos 73 minutos. Desta vez, ao Sporting não valeu o factor sorte, como sucedeu no jogo de quinta-feira, quando Adrien fez aquele remate feliz que desviou num defesa do Hertha de Berlim e traiu o seu guarda-redes. O Sporting empatou com toda a naturalidade com o Belenenses porque a qualidade do seu futebol atingiu um patamar incompatível com uma equipa com aspirações a ganhar o que quer que seja.
Durante toda a primeira parte foi incapaz de criar uma oportunidade de golo - a única de que dispôs foi oferecida pelo seu antigo jogador Beto, que quis driblar sucessivamente três jogadores "leoninos" numa zona "proibida". Salta à vista que o Sporting é uma equipa deprimida, estado de espírito ao qual nem o craque da equipa, Liedson escapa, a única explicação para a falta de agressividade competitiva que a caracteriza. O treinador entrou na sua quarta época, a estrutura e o sistema de jogo são os mesmos, os jogadores, na sua maioria, também, razão pela qual só se vislumbram razões de ordem psicológica para este momento que a equipa atravessa. Há jogadores fundamentais em má forma, como são os casos de João Moutinho e Liedson, como, de resto, ficou hoje patente frente ao Belenenses, que se limitou a ser uma equipa tacticamente disciplinada e com a crença suficiente para levar de Alvalade um ponto.
Rtp
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